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TJ-MS Analista Judiciário: o que caiu em 2022, 2024 e 2026 — e onde o núcleo parou a um ponto do corte

Classificamos as 180 questões das três últimas provas de Analista Judiciário do TJ-MS. Os Temas Essenciais responderam por 75% da prova em 2022 e 2024 e por 66,7% em 2026 — e, na última, pararam a um ponto do corte de 42.

João Tiaen10 min de leitura

O que este levantamento fez

Classificamos, uma a uma, as 180 questões das três últimas provas de Analista Judiciário do TJ-MS — 2022, 2024 e 2026 — dentro do Controle de Temas em Prioridades, o índice que divide o conteúdo do edital em cerca de 963 tópicos e os distribui em três faixas de peso.

A pergunta era simples e desconfortável: o recorte que a casa usa para dizer ao aluno estude isto primeiro sobrevive ao confronto com a prova real?

Nota de nomenclatura: o que estas apurações chamam de prioridade I e II corresponde ao que o método hoje denomina Temas Essenciais — recorte que reúne toda a prioridade I e boa parte da prioridade II. A prioridade III permanece como conteúdo de segunda passada.

A prova de 2026, número por número

A prova aplicada em janeiro de 2026 trouxe 60 questões, e 100% delas caíram dentro do índice — nenhuma questão ficou fora da árvore de assuntos mapeada.

  • Prioridade I: 22 questões (36,7%)
  • Prioridade II: 18 questões (30,0%)
  • Prioridade III: 20 questões (33,3%)
  • Temas Essenciais (I + II): 40 questões (66,7%)

Duas questões foram anuladas pela banca: a 18 (Constitucional — Dos Tribunais e Juízes dos Estados, prioridade III) e a 58 (Português — Concordância, prioridade I).

Uma observação sobre a classificação do TecConcursos: as questões 6, 7 e 8 abrem o enunciado com a expressão "nos termos do Estatuto dos Servidores Públicos do Poder Judiciário do Estado de Mato Grosso do Sul" e são cobradas a partir da Lei Estadual nº 1.102/1990, norma de remissão do Estatuto do TJMS (Lei nº 3.310/2006). É o mesmo tema classificado como prioridade I, ainda que o TecConcursos as arquive em ramo distinto da árvore. As três entram como prioridade I nesta apuração.

Metade do conteúdo, dois terços da prova

Aqui está a assimetria que sustenta o método. De um lado, quantos tópicos há em cada faixa; de outro, quantas questões cada faixa produziu.

  • Prioridade I — 236 tópicos (24,5% do conteúdo) → 22 questões (36,7% da prova)
  • Prioridade II — 217 tópicos (22,5%) → 18 questões (30,0%)
  • Temas Essenciais (I + II) — 453 tópicos (47,0%) → 40 questões (66,7%)
  • Prioridade III — 510 tópicos (53,0%) → 20 questões (33,3%)

Os Temas Essenciais somam menos da metade dos tópicos do edital verticalizado e responderam por 40 das 60 questões. A outra metade — 510 tópicos — respondeu por 20.

Convertido em rendimento por tópico estudado, fica mais duro: prioridade I rende uma questão a cada 11 tópicos; prioridade II, uma a cada 12; prioridade III, uma a cada 25. O tópico do núcleo rende duas vezes e meia mais que o da terceira faixa. Quem distribui o tempo igualmente entre os 963 tópicos gasta mais da metade do esforço colhendo um terço do resultado.

Não é o 80/20 literal, e não vale forçar o número: aqui a proporção é 47/67. Mas o mecanismo de Pareto é exatamente esse — a distribuição do que cai não acompanha a distribuição do que está escrito no edital. Quem trata o edital como uma lista uniforme está, sem perceber, assumindo que ela é. Não é.

O corte real: 42 pontos

O edital exigia 30 de 60. A concorrência exigiu 42. São coisas diferentes: 30 é o piso legal, 42 é o preço fixado pelos outros candidatos — 70% da prova.

Os Temas Essenciais produziram 40 questões, 66,7%. Abaixo do corte. Não se pode dizer que o núcleo bastava.

Há, porém, um detalhe que reposiciona a conta. Com as duas anuladas creditadas a todos, sobram 58 questões válidas:

  • Prioridade I: 21 válidas, 1 anulada
  • Prioridade II: 18 válidas
  • Prioridade III: 19 válidas, 1 anulada

Os 2 pontos das anuladas vêm de graça. Restam 40 pontos a conquistar entre as 58 válidas, e os Temas Essenciais válidos somam 39. Logo: 39 + 2 = 41. O corte era 42. O núcleo levava o candidato a um ponto da aprovação.

Onde estava esse ponto

Estava na prioridade III — e não em qualquer questão dela, mas naquelas que o domínio do núcleo resolve por transbordamento, sem estudo adicional:

  • Q9 (Inadimplemento das Obrigações) — cobrava a perpetuação da obrigação do devedor em mora diante do caso fortuito: conteúdo de Da Mora, prioridade II.
  • Q11 (Aceitação e Renúncia da Herança) — resolvia-se sabendo que a renúncia não permite representação: vocação hereditária (I) somada ao direito de representação (II).
  • Q13 (Do Senado Federal) — quem julga o Vice-Presidente por crime de responsabilidade: cai no colo de quem estudou Poder Legislativo e responsabilidade do Presidente.
  • Q40 (Locação de Imóveis Urbanos) — o eixo da resposta era ato jurídico perfeito e irretroatividade da lei nova: LINDB, prioridade I.

Uma delas fecha a conta. As quatro dão folga de três pontos.

O núcleo não era suficiente por si só. Era suficiente por si só mais aquilo que ele próprio produz. Essa distinção é o argumento inteiro.

Ninguém acerta 39 de 39. Num cenário realista de 85% de aproveitamento no núcleo, o candidato faz 33, mais 2 das anuladas, chega a 35 — e precisa de 7 das 19 questões de prioridade III, 37% do bloco. Os quatro transbordamentos entregam mais da metade disso de graça. Os outros três saem de uma passada de superfície no verde, que é barata justamente porque vem depois: quem já tem a base paga menos para aprender o que resta.

As três provas lado a lado

Cada prova tem 60 questões.

  • Prioridade I — 2022: 37 (61,7%) · 2024: 31 (51,7%) · 2026: 22 (36,7%)
  • Prioridade II — 2022: 8 (13,3%) · 2024: 14 (23,3%) · 2026: 18 (30,0%)
  • Temas Essenciais (I + II) — 2022: 45 (75,0%) · 2024: 45 (75,0%) · 2026: 40 (66,7%)
  • Prioridade III — 2022: 13 (21,7%) · 2024: 13 (21,7%) · 2026: 20 (33,3%)
  • Fora do índice — 2022: 2 (3,3%) · 2024: 2 (3,3%) · 2026: 0

O 45 / 13 / 2 idêntico em 2022 e 2024 é coincidência: algumas classificações de fronteira poderiam deslocar uma ou duas unidades. O patamar, não.

O núcleo se sustenta nas três provas. Os Temas Essenciais responderam por 75% da prova em 2022 e em 2024, e por 66,7% em 2026. A cobertura do índice ficou em 96,7% nos dois primeiros anos e em 100% no último.

O peso migrou da prioridade I para a II. A prioridade I caiu de 37 para 31 e depois para 22 questões, enquanto a prioridade II subiu de 8 para 14 e depois para 18. A soma das duas permaneceu estável. Na prática: em 2026 a banca cobrou o mesmo núcleo, porém distribuído de forma mais fina dentro dele. Estudar só a faixa vermelha teria bastado em 2022 (37 questões) e não bastaria em 2026 (22).

A prioridade III se manteve constante em volume e dispersão. Foram 13, 13 e 20 questões, sempre espalhadas por dezenas de assuntos que quase nunca se repetem de uma prova para outra. Confirma o diagnóstico: a terceira faixa é cara por questão conquistada, não irrelevante.

A margem fechou

Teto do núcleo = acerto integral nos Temas Essenciais mais as anuladas creditadas a todos.

  • 2022 — núcleo 45 (44 válidos) + 1 anulada = teto 45 · corte ~41 a 42 · margem +3 a +4
  • 2024 — núcleo 45 (45 válidos) + 2 anuladas = teto 47 · corte ~41 a 42 · margem +5 a +6
  • 2026 — núcleo 40 (39 válidos) + 2 anuladas = teto 41 · corte 42 · margem −1

Os cortes de 2022 e 2024 são aproximados (em torno de 41 a 42 pontos); o de 2026 é o valor confirmado de 42.

Em 2022 e 2024 o núcleo, sozinho, passava o candidato com folga. Em 2026 ele para a um ponto do corte. A causa é a migração já apontada: a prova ficou mais distribuída, a prioridade III subiu de 13 para 20 questões e o núcleo encolheu de 45 para 40.

Isso não desqualifica o recorte — confirma o desenho. Os Temas Essenciais continuam sendo o que leva o candidato de zero até a vizinhança da aprovação com o menor custo por questão. O que mudou é que a folga acabou: hoje o núcleo entrega a posição de disputa, e a aprovação se decide na segunda passada, sobre uma prioridade III que fica barata justamente porque a base já está montada.

O que caiu em 2026, por disciplina

  • Língua Portuguesa — 15 questões
  • Direito Constitucional — 9
  • Direito Penal — 6
  • Direito Processual Civil — 6
  • Direito Administrativo — 5
  • Direito Processual Penal — 4
  • Direito Civil — 3
  • Legislação Específica dos Tribunais Estaduais — 3
  • Direito Administrativo Estadual (Lei nº 1.102/1990) — 3
  • Legislação Penal e Processual Penal Especial — 2
  • Direito do Consumidor, Direito Econômico, Direito Previdenciário e Legislação Civil e Processual Civil Especial — 1 cada

Português sozinho valeu um quarto da prova. Português, Constitucional, Penal e Processual Civil somados valeram 36 das 60 questões.

Uma ressalva metodológica que não pode ser omitida

O Controle de Temas em Prioridades foi construído a partir da metrificação do acervo do TecConcursos para a carreira — acervo que inclui as provas de 2022 e 2024. A alta cobertura nesses dois anos é, em parte, esperada: o índice foi calibrado sobre esses dados. Elas servem para mostrar a consistência da distribuição, não para provar poder preditivo.

O teste genuíno é 2026: prova posterior à construção do índice, nunca vista por ele. Foi ali que a cobertura chegou a 100% e os Temas Essenciais entregaram 40 das 60 questões. É esse o número que sustenta o método — 2022 e 2024 são a base de calibragem, e apresentá-los como validação seria confundir o treino com o teste.

O que a estatística estabelece

Prioridade III não é descarte. São 20 questões, um terço da prova, e ninguém passa bem colocado abrindo mão disso. O que a estatística estabelece é ordem, não exclusão: os Temas Essenciais primeiro, até dominar; prioridade III depois, sobre uma base que já resolve boa parte dela sozinha.

A inversão da ordem é que mata. Quem começa pelos 510 tópicos de prioridade III gasta mais da metade do tempo num terreno que rende uma questão a cada 25 tópicos, sem construir a base que faria o próprio verde ficar mais fácil, e chega à prova com o núcleo — 39 das 58 questões válidas — visto tarde e mal fixado. Esse candidato não fica a um ponto do corte. Fica a dez.

O erro que o método corrige não é estudar prioridade III. É estudar prioridade III primeiro. Numa prova decidida por um ponto, sequência é tudo.

#TJMS#Analista Judiciário#estatística de prova#Temas Essenciais#Controle de Temas em Prioridades
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